19 de jul de 2010

O passado, o presente e o futuro dos consoles

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Quando pensamos em vídeo-games, o que vem a nossa mente? Muitos jogos e sentimentos, não é? Cada um pensa neles de uma maneira diferente, mas quem tem a melhor visão sobre isso somos nós, os gamers hardcore. Hoje em dia os vídeo-games já são tratados como uma manifestação artística, e para um grupo de pessoas, uma das melhores maneiras de se divertir. Mas nem sempre isto foi assim: em um passado não muito distante, os nossos queridos consoles eram tratados somente como “coisa de criança”, mentalidade que persiste até os dias atuais, principalmente em sociedades de menor poder aquisitivo.

Cada vez mais esta forma de entretenimento invade as casas das famílias no mundo todo. A Nintendo, por exemplo, percebeu a mina de ouro que existia nos jogadores casuais, e lançando o console Wii, dominou o mercado e teve lucros orbitantes, enquanto a Microsoft e a Sony se degladiavam com o nicho hardcore do mercado. Mas o que nos vem a mente agora, é: onde tudo isto vai parar? Qual vai ser o próximo passo da indústria?

Para entender o futuro, temos primeiro que olhar para o passado: lembrar do Atari 2600, o primeiro console que realmente teve êxito comercial, lembrar do Tele Jogo ou os famosos sucessores do Atari: Master System, NES, Mega-Drive, SNES… Não é difícil olhar para trás e perceber a evolução da indústria, bem como notar que nós gamers crescemos com ela.

Há muito tempo tínhamos nossos cartuchos, que todos chamávamos de fitas, e a sensação da época eram as locadoras de jogos. Era comum ver inúmeras crianças aglomeradas dentro de uma sala, jogando entre si, ou até sozinhas, e discutindo sobre qual era o melhor jogo, ou o melhor console da época. Até nos primórdios de nossa vida gamer já haviam desentendimentos entre os donos de SNES ou Mega Drive; a famosa “Primeira grande guerra de consoles”.

Para quem teve sua infância ou juventude nesta época, sabe muito bem do que estou falando quando me refiro a este acontecimento como o nome “Primeira grande guerra dos consoles”. Mais ou menos entre 1993 a 1996, era bastante comum entrar em uma locadora e ver a galera discutindo sobre qual console era melhor; as brigas eram feias, e ocasionalmente acabavam em havaianas sendo arremessadas e moleques correndo pela rua..


Naquele tempo, um gamer não conseguia livrar-se desta guerra, ou você tomava um partido ou ficava fora do “grupinho” de tal console. Mas por incrível que pareça, ninguém queria ficar de fora dela, todos gostavam de se vangloriar com seu Mega Drive ou SNES e discutir sobre as qualidades de ambos. As locadoras eram os pontos principais para as intrigas, que se estendiam por ruas e até mesmo por casas, onde a garotada deitava e rolava nos palavrões, tudo o que mentes infantis tinham direito.

E sabe do que mais? Era muito divertido. Assim como nos dias de hoje, a guerra entre Sega e Nintendo nunca teve um vencedor, pois nós discutíamos sobre os vídeo-games, e não sobre as empresas. Ninguém estava nem aí se a Sega ou a Nintendo estavam lucrando, afinal, nós só falávamos de Shinobi, Super Mario, Contra e F-Zero. E talvez pelo medo de levar mais uma nostálgica “havaianada”, hoje nós sabemos reconhecer que ambos os consoles eram fantásticos.

Pensemos agora na diversão e no contato humano que tínhamos naquela época; era sensacional se reunir em bandos para passar o final de semana todo jogando e fazendo campeonatos de “International Super Star Soccer Deluxe”, só para pegar o Brasil e destruir com o jogo fazendo misérias com o Alejo. É importante e saudoso lembrar também, na dificuldade dos jogos mais antigos; haviam inúmeros títulos que eram praticamente impossíveis de serem batidos por crianças. Então pensamos: “ah, mas hoje em dia eu viro fácil!!”, grande engano se você pensou assim, ainda existem jogos épicos que são dificílimos de serem zerados, seja pela dificuldade imposta pelos desenvolvedores, ou seja pelos bugs do jogo que faz você morrer sem nem mesmo tocar nos inimigos. Bons tempos… tempos que fechar um jogo era mais que diversão, era um desafio!

Nesta época também surgiram as máquinas de fliperamas, pouco depois o N64, PSX, Saturn, Neo Geo, Dreamcast, Game Boy… mas não estou aqui para falar dos consoles, e sim da indústria de games na década de 90; uma das mais lucrativas da história! Foi nesta época que tivemos a consolidação dos maiores clássicos e maiores franquias de todos os tempos como: Final Fantasy, Mario, Chrono Trigger, Twisted Metal, Street Fighter, Metal Gear Solid, Samurai Shodown e muito, muito mais que nem tenho como escrever por aqui.

É claro que na década 2000 também nasceram grandes clássicos, mas foi neste período de 90 que tivemos a afirmação de franquias que vemos até hoje sendo exploradas. Ao mesmo tempo que a indústria lucrava com a abundância de criatividade, no Brasil eles se viam encurralados pela pirataria, pois era comum ir na banca da esquina e comprar jogos de PSX a aproximadamente R$ 15,00.Mas para os gamers jovens e sem noção do estrago que a pirataria causava, isto tudo era o paraíso da jogatina. Não haviam originais no mercado, e até mesmo as locadoras comercializavam jogos piratas.

Já nos anos 2000, tivemos a maior biblioteca de jogos que a indústria já viu! Nesta época de ouro, com o PlayStation 2, surgiram grandes franquias como Guitar Hero, God of War e Shadow of Colossus, jogos que culminaram com o sucesso do console da Sony e elevaram estúdios de games à patamares mitológicos. Nem o GameCube da Nintendo teve chances contra a biblioteca do PlayStation 2, tampouco o poderoso Xbox, que anunciou a entrada da Microsoft no mercado de consoles. Nesta fase os games já estavam em quase todas as casas, as locadoras enfraqueceram e a indústria cresceu dois digítos ao mês.

Se antes as empresas comemoravam o primeiro milhão de jogos vendidos, hoje elas triplicaram de tamanho, lançando ações no mercado e tornando-se verdadeiras corporações financeiras, com lucros exorbitantes em um mercado aquecido. Os jogos mais esperados vendem milhões de cópias do dia para a noite, e o que era uma diversão de gente recém crescida, se tornou um invólucro de criatividade estimulado pela sede ao dinheiro. Somos bombardeados por jogos nada criativos todos os meses, produtos fabricados com o único motivo: ganhar dinheiro.

Nos cobram R$160,00 por um jogo (ou $60 dólares), e um tempo depois lançam mais conteúdo e temos que pagar por isso? Onde foi parar a vergonha na cara de quem faz uma sacanagem dessas com os consumidores? Se eu compro um jogo eu quero ele completo, se for disponibilizar mais conteúdo depois então que nos forneça de brinde, ou realmente lance um conteúdo novo, mostrando que aquilo não poderia estar incluído no produto original. Sim, eu sei que posso estar sendo agressivo nas palavras, mas se antes eles já pensavam em lucrar, o que é normal para qualquer negócio, agora eles querem lucrar de um jeito insensato… essa política de DLCs…

Eu sei que muitos vão me criticar nos comentários e não irão concordar comigo, mas esta geração é a melhor para a indústria e a pior para nós gamers! Contemplados com trocentos lançamentos nada criativos, sem graça e caros. Para mim que venho crescendo e evoluindo com a indústria, isto tudo é uma piada! Executivos que falam em fazer games sem paixão e determinam que os jogos sejam ceifados para tornar sua produção mais lucrativa.

Em uma sociedade capitalista, é óbvio que não devemos apontá-los como tolos por quererem se encher de grana, mas mesmo as grandes empresas estão lançando produtos com qualidade duvidosa no mercado. Jogos curtos, nada difíceis e que possuem um mísero multiplayer como desculpa para justificar seu preço. E hoje, conscientes de que a pirataria é algo muito ruim, não temos mais confianças de comprar um jogo simplesmente olhando sua capa, temos que ir atrás, pesquisar… separar o joio do trigo.

Quer um exemplo da falta de vergonha na cara de algumas empresas? Exemplo que também mostra o conformismo dos gamers de hoje em dia? É só lembrar da nova política da Electronic Arts de cobrar um valor extra para quem compra os jogos usados, poderem jogar online. Mas não vou me estender nesse assunto, eu ficaria aqui para sempre.

Depois de tantas mudanças na indústria, o que podemos esperar do futuro? Novas ondas estão aí, como a tecnologia 3D, os controles de movimento e os jogos casuais, mas o futuro a Deus pertence, e a nossa torcida é que os verdadeiros artistas que desenvolviam os games, voltem aos seus patamares artesãos, e deixem de ser máquinas produzindo dólares para os bolsos dos seus patrões.

E querem saber de uma coisa? Vou sair daqui e vou jogar meu bom e velho Final Fantasy VII, que não preciso pagar para ter conteúdo extra e ainda tem um single player com uma história sensacional.

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2 Comentários para O passado, o presente e o futuro dos consoles

19/07/2010 17:30

COncordo em cada palavra com você! E eu mesmo me sinto num mundo sem criatividade atualmente, aonde só os mais antigos acabam valendo a pena, por N motivos!

Até pode ser que haja coisas boas atuais, mas, o preço só aumenta, a qualdiade de história e jogabilidade diminui, só melhoram gráficos pra justificar preços abusivos, e nós nos ferramos enquanto eles enriquecem ás nossas custas!

13/08/2010 14:21

Concordo demais! rs
Saudades da era desde o Atari 2600 até o Sega Dreamcast... Era de grandes guerras dos consoles... Aí veio o PS2 e dominou tudo, com bons jogos, mas começaram a vir as porcarias sem criatividade, e que agora são ainda mais abundantes nessa geração atual. É tenso!!!

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